.Eu matei minha mãe, Xavier Dolan

– o que você faria se eu morresse hoje? (filho)
– morreria amanhã. (mãe)

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esse é um filme pra todos aqueles que sentem que amam suas mães ao passo que as odeiam às vezes. cada um com seu motivo, sua existência, sua história passada ou recente. Eu matei minha mãe é a história de um adolescente que vive entre a ambiguidade do sentimento maternal e o ódio por não poder desvencilhar desse amor. o personagem faz de tudo para agradar e aborrecer sua mãe, as brigas entre eles são diárias e intensas. a relação monoparental é uma relação muito mais comum do que se imagina, quando os pais se separam e seus filhos se identificam com uma das partes – seja só com o pai, seja só com a mãe.

a fotografia e as cores são lindas nesse filme, assim como o texto sobre os sentimentos de Hubert pela mãe. muitos se veem como Hubert, nessa relação confusa entre filho e mãe, o que me comprova que relacionamentos turbulentos são frequentes na maioria das famílias – talvez o oposto seja mais incomum, o bom relacionamento entre um adolescente e sua mãe. por isso as falas de Hubert oscilam, ele não consegue lidar com a não aceitação do comportamento da mãe sendo diferente do seu, uma briga por ser fazer visto e ganhar independência de mundo (rompimento do mundo da casa e conquista do mundo de fora).

J’ai tué ma mère, nome original, foi dirigido pelo diretor quebequense Xavier Dolan e estreado no Brasil em 2009, é quase uma autobiografia da vida dele nessa fase retratada no filme.

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Mãe, confesso ante a ti
que as armadilhas deste mundo enganador
destroem a minha débil nau,
quero lhe dever toda a minha felicidade
pela ternura maternal.
Musset

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Amamos nossa mãe sem percebermos
e somente depois do último adeus
é que tomamos consciência
da profundidade desse amor.
Guy de Maupassant

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