.O Sangue de um Poeta, 1932, Cocteau

a mão adquire uma boca

o poeta desenhista não sabe o que fala essa mão-boca, então

a beija

beija-a

até sentir

sufocamento

desejo

os olhos fechados entreabertos pelo desenho no rosto.

 

na manhã seguinte:

o adormecido personagem topou com o desconhecido,

ou com os mistérios da fotografia,

(…) – ou como caí na armadilha feita pelo meu próprio filme.

 

você acha que é tão simples

se libertar de um ferimento

para fechar a boca de uma ferida?

em seguida, o filme segue:

demonstrando o perigo de se apagar sobre a mobília, com um espelho que deveria refletir melhor sobre os que nele adentram, com os quartos Des Folie Dramatiques, onde as fechaduras denunciam o que se passa em cada intimidade obscura daquele hotel, uns garotos que possuem bolas de neves e são tão perigosas quanto facas espanholas, uma morte ensaiada ao lado da parte elegante burguesa de uma sociedade que ignora essa morte. um anjo negro. uma cena final que a gente não sabe se é encenação, filme ou mimese da absurdidade da vida real. (esse último, de uma forma ou de outra, sempre é).

.

.

O Sangue de um Poeta (1932) é o primeiro drama de Jean Cocteau (1889-1963) e ele faz parte da Trilogia de Orpheu, do mesmo diretor.

o filme é repleto de imagens surreais e que refletem o mundo interior do poeta, seus medos, obsessões e sua preocupação com a morte. são cenas compostas com uma linguagem própria, e que mescla poesia e realidade.

o filme completo e com legenda em português está disponível para download num dos meus sites preferidos, o Filmes Cult.

Leaver a comment