.quantas pessoas passam pelo mesmo lugar?, Peter Funch

primeiro comecei com um senhor, lá pelos 70, que esperava o ônibus num ponto de ônibus que tinha o banco ocupado por um 1 papel de sorvete e 1 panfleto, que ele preferiu bater as mãos pra dar espaço ao seu corpo que desejava sentar naquele lugar. não sei se pela idade ou se pela fadiga de esperar o transporte que, geralmente, demora a passar num demorar diretamente proporcional às idades. depois, fui parar num casal que, numa das esquinas de trabalho, beijava-se em despedida de almoço e uma das moças trazia no pé uma sapatilha marrom que carregava também marrom uma sujeira em sua sola. depois, passei pelo moço com 1 bebê no colo, que chacoalhava o garotinho ou garotinha com a intensidade da ansiedade por alguém lhe comprar as bijoux que vende na calçada. andando mais um pouco, paro em uma moça que tira uma selfie num coração SP da Paulista, aquele que fica em frente de muitas selfies que passam ali, um coração vermelho, bem de acordo com as cores e nervuras que circulam por lá. andando ainda mais, passo por umas pessoas boquiabertas, que não soube ver se era algum acidente de sarjeta ou apresentação de artista, um monte de gente olhando para o mesmo lugar. mais à frente é um barulho que passa por mim, olho pra cima, vejo dois ou três aviões sobre nossas cabeças, acima dessas movimentações todas que atravessavam a avenida. tudo isso durou menos de 5 ou 6 minutos, o tempo que meu ônibus levou pra cruzar 3 quarteirões. daí que chegando em casa revejo fotos de um fotógrafo que teve a genial ideia de observar estas cenas com sua câmera registrando esses números de pessoas em diferentes tempos de passagens. e o resultado foi a soma dessas observações, só que em 1 única foto editada por tema.

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vejam quantas pessoas passam pelo mesmo lugar e bocejam, espirram, piscam, fumam, tiram selfies, sobrevoam, veem o céu, correm, portam guarda-chuvas, olham relógios, consultam mapas, estão perdidas, simplesmente caminham sem direção?.

será que a gente assiste a isso tudo? ou caímos num estar-sem-ver no pós moderno?!

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todas as fotos são do fotógrafo dinamarquês Peter Funch (1974) e no site dele tem muito mais.

Comments (2)

  1. gretacoutinho 29 de Maio de 2016 at 10:20

    Incrível reflexão sobre o dia-a-dia anestesiado que vivemos. Adorei!

    • gretacoutinho 30 de Maio de 2016 at 03:48

      muito bom saber que agradou.. :)) venha a SP passear algum dia. :))

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