.Um Cão Andaluz, 1929, Buñuel

uma narrativa em prosa poética:

uma janela que só vê morte. uma mulher encurralada, um cenário que se desloca até ela, por um homem com mãos de formiga. um amor que ressuscita depois de quebrar o pescoço na calçada, o homem que ressuscita e morre de novo em outro lugar.

a mulher dos olhos cortados pela navalha vê uma borboleta preta: a aparição do homem morto ressuscitado e morto de novo se mescla à existência dela e ela passa um batom. o batom é passado nele também.

logo depois, um relógio mostra a ela um novo amor. um amor mais novo e em beira de praia.

ela e ele seguem pelas pedras da areia, encontram retalhos que talvez sejam retalhos de histórias que viveram ali au printemps. quando a mulher possivelmente não tivera os olhos cortados por uma navalha de um amor anterior.

tudo isso acontece. num tempo-atemporal, anos antes anos depois.

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Um Cão Andaluz (1929) é um filme francês surrealista, dirigido por Luis Buñuel (1900-1983) e é tido como o primeiro filme surrealista da história. O roteiro foi co-escrito por Salvador Dali (1904-1989).

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