.um poema para ela, Quarto de Hotel, Edward Hopper

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gostaria a estas horas da madrugada são 3:46AM de poder ser moldura.

ela me disse semanas atrás que mandou emoldurar, colocar uma moldura bem bonita e colorida, o que combina ou não combina com o bem estar da menina, no quadro de Hopper, o artista da tristeza e da melancolia, o artista que apresentei pra ela quando ela me deixou entrar de vez em sua vida.

gostaria de entender a moldura, as cores não batem ou deveriam bater com as cores do quadro, as cores da tristeza da menina, as cores das palavras que ela segura em livro nas mãos mas não lê, os olhos vagueiam algum pensamento que não sou eu no momento pois estou aqui escrevendo a esta hora da madrugada e tentando ser moldura de alguma coisa só pra chegar mais perto dela.

gostaria de saber escrever com menos rapidez ansiedade, gostaria de poder ser moldura a hora que quisesse, gostaria que ela lesse esse poema que não é um poema, um desabafo de que ela me deixe ser alguém pendurada em sua história,

numa moldura que desejo escolher pra mim.

olho o quarto, o meu e o dela da tela, a moça do livro que passeia os olhos por alguma história distante da nossa, o artista que apresentei quando ela me deixou entrar de vez em sua vida.

há uma desordem, há solidão, eu avisei que o artista era o artista da tristeza melancolia, do vazio do nada e de novo da solidão.

essa palavrinha parecendo aumentativo que me ocupa esta hora das 3:53AM os minutos passaram parecendo eternidade e perdendo minhas palavras sem sentido na tela, na tela dela, da moça do livro, na tela dela que dorme agora quando escapo disso, na tela dela com moldura colorida que fica bem ao lado de sua cama. pendurada na parede.

a moça de Hopper é quem a acompanha.

não sou mais a dona dessa sorte.

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