.Vivre sa vie, 1962, Godard

o filme Vivre sa Vie faz parte de um movimento artístico francês denominado nouvelle vague, que nasce por uma vontade comum dos novos cineastas dos anos 60 de transgredir às regras normalmente aceitas do cinema comercial.

estes novos cineastas não recebiam grandes financiamentos para produzirem suas obras e, a partir disso, desenvolviam novos moldes narrativos, quebrando com o modelo tradicional de se fazer cinema (por isso o nome nouvelle vague = “nova onda”). as características dessa nova forma de cinema são muitas, mas por meio do filme que falo neste post já é possível notar a diferença que há num filme da nouvelle vague e outro filme do cinema tradicional (filmes hollywoodianos, por exemplo). as falas, os temas amorais, a sátira pelos clichês visuais da cinematografia, o foco voltado ao psicológico dos personagens e suas impressões cotidianas e mais banais.

Godard foi um destes novos cineastas e sua filmografia e biografia estão disponíveis em muitos meios na internet, livros, revistas etc, como no Cahiers du Cinema. (ainda postarei muitos filmes dele aqui =D)

..vamos ao filme..

Montaigne começa nos dizendo, “é necessário se emprestar aos outros e dar-se a si mesmo.”

em seguida, Godard empresta-nos a história de Nana, uma moça de 22 anos, 1,69m, cabelos curtos – que crescem muito rápido, uma moça que precisava de dois mil francos. Godard vai contar sobre esse precisar de Nana e sua trajetória em Vivre sa Vie vai ser posta em 12 quadros (ou capítulos), dividido por temas da vida dela. vou escrever apenas sobre alguns, obviamente, perderia a graça se dissesse de todos. 😉

Capítulo 1. um café – Nana quer abandonar – Paul – o caça níqueis

neste quadro os personagens discutem sobre a reflexão de uma criança de oito anos que descreve um de seus animais favoritos num exercício de escola. a menina escolhe falar da galinha.

“a galinha é um animal que é composto de um interior e um exterior. se a gente retirar o exterior, sobra o interior. e quando retiramos o interior, então se vê sua alma”.

Capítulo 5. os boulevares exteriores – o primeiro homem – o quarto

aqui Nana descobre sua profissão. Nana não conseguiu os dois mil francos que precisava do começo. agora ela consegue.

Capítulo 6. encontro com Yvette – um café suburbano – Raoul – tiros de metralhadora na rua

Raoul (um dos personagens principais) entra em cena neste quadro. antes de conhecê-lo, Nana reflete com sua amiga:

“- fugir é um sonho.

– porque?

– essa é a vida.

(depois de um tempo  Nana se arrepende do que falou e corrige)

– eu acho que somos sempre responsáveis pelo que fazemos. somos livres.

eu subo com a minha mão. sou responsável.

viro a cabeça pra direita. sou responsável.

estou triste. sou responsável.

fumo. sou responsável.

fecho meus olhos. sou responsável.

eu esqueço que sou responsável, mas eu sou. não é o que eu dizia sobre querer fugir, é uma piada. você se interessa por algo e ela se torna bela. afinal, as coisas são como são, nada mais. uma mensagem é uma mensagem. pratos são pratos. homens são homens. e a vida, é a vida.”

uma canção se inicia. é uma referência a muitas Nanas que existem na vida.

“minha menina tem 25 anos e acho que nem a V. Maria – das igrejas – tem mais amor nos olhos e sorri melhor.”

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. anotações no caderno de Raoul, onde ele anota outras Nanas que conhece.

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Capítulo 7. a carta – ainda Raoul – Champs Elysées

neste quadro Nana escreve uma carta à sua amiga, dizendo que deseja trabalhar para ela. aqui Raoul vai convencê-la de ficar com ele. e ele vai explicar a ela sobre as moças da rua.

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“- quando as luzes da cidade se acendem, começa a ronda sem esperança da rua.”

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Paris, 30 de março. Chére Madame.

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Capítulo 8. as tardes – o dinheiro – as pias – o prazer – os hotéis

(sobre este capítulo, ainda postarei algo adiante, mas deixo o link da primeira grande mostra que teve no Museu D’Orsay, em Paris, sobre o tema.)

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Capítulo 11. Place du Châtelet – o desconhecido – Nana faz filosofia sem saber

aqui Nana descobre Porthos (d’Os Três Mosqueteiros) e a filosofia de que se morre quando se pensa pela primeira vez.

ao sentar-se com o desconhecido no café e fazer filosofia ali na mesa, ela questiona:

“- o que você pensa do amor?

-(…)

-o amor não deveria ser a única verdade?

-(…)”

Capítulo 12. de novo o jovem homem – o retrato oval – Raoul troca Nana

esse quadro é que, por meio da literatura lida, prenuncia o final de Nana.

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o final é ridículo. me faz odiar Godard. e por odiar ele, que gosto dele.

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